- Os ultimos serão os primeiros. acredite nisso! -ela me disse, tentando levantar o meu ânimo. Mas ninguém gosta de ser o último, pensei cá comigo.
Quando eu fui uma das únicas que não conseguiu esculpir aquele dente eu me senti como a última e aquilo realmente doeu. Não sei se era TPM, não sei se é porque sou uma molenga, mas o choro estava entalado em minha garganta. Como eu pude ser a última? Por que eu não consegui como todos? O que há de errado comigo?
Perguntas sem respostas para uma noite esquisita. Mas de tudo se tira uma lição não é? Nunca após uma aula sequer em minha vida eu precisei chegar em casa e de alguma forma sanar alguma dúvida. Nunca antes eu deixei de ir à alguma festa por não ter entendido um conteúdo, mas naquela noite eu esculpi dentes até que eu achasse que tinha aprendido, sem me importar com o jantar que estava perdendo, sem me importar com o choro que não pude conter, sem me importar com mais ninguém além de mim e do meu dente de cera.
Não porque eu precisava de nota ou algo assim, mas porque eu precisava provar pra mim que eu era capaz e na verdade eu realmente era.
Mesmo que eu só tenha conseguido fazer a maldita escultura dentro do meu quarto e sozinha, depois das inúmeras tentativas, eu ainda era capaz. Que bom que minha mãe não me viu; ela estranhou, claro, a minha porta fechada e o meu "estou estudando" as 11 da noite, mas ela me deixou lá porque ela sabe o quanto odeio ser motivada pelos outros, eu só preciso da minha motivação, eu só preciso da minha força.
Ela sabe o quanto eu odiaria ter que ouvir que os últimos serão os primeiros só porque eu fui a última.