quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

fio dental, por favor.


Depois que a dentista me ensinou que se eu não passar fio dental pelo menos uma vez ao dia minha gengiva vai ser sempre sensivel minha vida mudou.
Mudei o lado pra que penteava o cabelo, o jeito de andar, cortei minhas unhas, joguei fora os palitos de dente, decidi que usaria relógio constantemente e eu decidi que ao invés de jornalista eu ia ser dentista.
Quando eu decidi que ia ser dentista, eu decidi que podia ser qualquer coisa. Eu vou ser dentista, jornalista, advogada, fonoaudiologa e solteira.
Não gosto de comer feijão; então as cascas de feijão não irão me atrapalhar a ter o sorriso perfeito de uma dentista, assim como meus clientes não vão me atrapalhar a escrever minhas pautas diárias, nem meu emprego no telejornal vai me atrapalhar a estudar para o exame da OAB, quando eu resolver cuidar de mais um garotinho que foi operado de lábio leporino; e por fim quem foi um amor na minha vida não vai mais me fazer chegar atrasada.
Porque mais do que eu não gosto de feijão, eu não gosto de chegar atrasada. Nasci pra ser a primeira em qualquer coisa que faça, então nasci para chegar adiantada em qualquer ocasião. Sou a primera a querer, a primeira a fazer a coisa certa, a primeira a fazer a coisa errada, mas o que importa é que eu seja a primeira. Nem que seja a primeira a desisitir, preciso chegar adiantada, você me entende?
Vou chegar adiantada no destino felicidade também, e vai ser legal porque a felicidade vai ser só minha não vou precisar dividir com ninguém. Assim como não divido meu fio dental. Porque ele só pode curar a minha gengivite.